Amigos,
De vez em quando, me pego pensando em Vavá, Zizinho, Pirillo, Dida, García, Doval, Reyes, Rondinelli, Gamarra, Zico, Adílio, Andrade, Nunes... Um dos paradoxos da pós-modernidade é a saudade de um tempo em que não se viveu. Com o futebol brasileiro dilacerado, não há como amar o presente, é preciso se remeter ao passado. O sociólogo Bauman diz que quando as incertezas do futuro estão nítidas, o passado aparece como salvaguarda.
Voltando ao Flamengo. Ultimamente, o Flamengo não tem sido o FLAMENGO. Aquele time cuja camisa é capaz de jogar sozinha, aquele time cujos jogadores tem vontade de se matar após uma derrota. O Flamengo não tem sido senão uma paródia de Flamengo. Nosso técnico "pós-moderno", verdadeiro entendedor das cousas do futebol, não acerta o time, e o time não se acerta. Quando da saida de Joel, nosso Rei, minha namorada foi capaz de exprimir muito bem minha opinião sobre o comandante da nau rubro-negra: "Ele não tem cara de técnico. Ele não sabe nada de futebol". Óbvio, sem preconceitos, Caio Jr. tinha que estar na faculdade de História, ou fazendo algum tipo de filme best-seller na Inglaterra, mas não deveria estar no Flamengo jamais. O Flamengo não tem cara de bruxo infanto-juvenil, embora muitas vezes consiga vencer seus jogos utilizando-se da magia da torcida. O Caio Jr. não tem a cara do Flamengo.
Vimos, pois, que o técnico do Flamengo não tem a cara do "verdadeiro" Flamengo. Mas o que é, afinal, o verdadeiro Flamengo? Amigos, o Flamengo é raça, disposição e vontade. Nada mais. A massa amava ao Zico, mas também amava ao Rondinelli. Deles, nada exigia senão o total entregar-se. Zico era querido não porque fosse bom de bola, mas porque "era" Flamengo. Não havia diferença entre a cor de pele de seus braços e pernas nus a camisa que vestia. Mesmo quando jogava com uma blusa amarela (o terceiro uniforme), transparecia por aquele pedaço-de-seda a pele rubro-negra. A verdade é que Zico não ficava bem de amarelo. Não combinava, afinal, com seu majestoso tom-de-pele. Os jogadores pós-modernos de nosso time, como Kléberson ou Josiel não tem jeitão de Flamengo. Um parenteses: amigos meus, Thiago Gondim e Pipo Senos, observaram que toda a vez que se fala do substantivo Kléberson, o adjetivo "pentacampeão" do mundo o acompanha. Do tipo: "ah, o Kléberson nada joga no Flamengo, mas ele é pentacampeão do mundo, temos que respeitá-lo". Não respeito estes títulos menores. Fosse Kléberson campeão brasileiro pelo verdadeiro rubro-negro, respeita-lo-ia deveras. Acontece que acabou conquistando um título pelo rubro-negro do Paraguai, ou, se preferirem, o da Baixada. Amigos, o Flamengo merece mais do que tem obtido. A torcida do Flamengo merece mais. Já fui a vários jogos do Fluminense (na Young Flu), do Botafogo (nas cadeiras!) e do Santos (na Torcida Jovem), fui mesmo até a alguns jogos de Internacional (Beira-Rio), Atlético-PR (Baixada), Corinthias (São Paulo), Vila-Velhense (Vila-Velha), América-RJ (Maracanã e Giuliete Coutinho) e nenhuma torcida me emociona tanto como a do Flamengo. Deixando de lado o amor e o moderado fanatismo, a torcida do Flamengo é a mais bonita do mundo. Infelizmente, ainda não fui a jogo algum do glorioso Oxford United, torcida que, imagino, possa rivalizar com a do Mengão, mas um querido amigo andou frequentando o Kassan Stadium e me comprovou não haver comparação. As torcidas do Oxford e do Flamegno tem amargado diversas derrotas. Isto não faz parte do Flamengo, isto não é o Flamengo que desejamos. Desejamos um Flamengo com raça, luta e fibra. A técnica é necessária, mas não é fundamental. Apenas queremos ver sangue dentro de campo. No mínimo, muito mas muito suor. E isto, meus amigos, não tenho visto.
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