Dia de jogo. Dia de Maracanã. Amigos, me sentia em débito com o Flamengo há algum tempo. Por muitas razões, tenho ido razoavelmente pouco ao Maracanã. Cheguei de Piraí, vulgo fim-do-mundo, exaurido. Não podia, porém, deixar de ver: Flamengo X Palmeiras. Honestamente, antes do match, esperava muito pouco do Flamengo: bom sinal. Quando acho que o Mengão ganhará fácil, é derrota na certa, o contrário também é verdadeiro. Chegando lá, a fila extendia-se quase até a bilheteria seis. A fila era enorme. Não havia problema: queria pagar a minha dívida, e ficaria o tempo necessário naquela fila. Alguns absurdos me deixaram irritado. Era claro, nítido como água que não se encontra por aí que a fila existia apenas por causa da quantidade absurda de cambistas. Os irritantes conchavos entre cambistas e bilheteiros são irritantemente irritantes. E irritam, devo dizer, o mais apaixonado dos torcedores. A torcida Jovem, ao olhar atento da polícia, furou claramente a fila. Muitos, a meu ver, nem eram membros de grande capital simbólico da jovem, apenas usavam a camisa da torcida organizada para, digamos assim, intimidar o "povão". Havia, inclusive, um sujeito obeso e gordo. Irritantemente, obeso e chato. O sujeito furou a fila e teve o prazer de "rir" na cara dos verdadeiros torcedores. Este sujeito não devia ser Flamengo, acho, aliás, que nem é. É apenas um sujeito irritante como tantos que existem.
Felizmente, existem males que vem para o bem. Nick Hornby escreveu certa vez que quanto mais é o sofrimento que o torcedor se submete pelo clube, maior é a sua felicidade no gozo da vitória. É verdade. O maravilhoso 5 a 2 apenas refletiu a superioridade do poderoso Flamengo. Mas isso não foi tudo, um show de Ibson, que marcou três gols. Uma partida histórica, até porque, o irritante Luxemburgo, não tomava cinco gols desde 1997, quando perdeu para o Palmeiras, treinando o Santos, por 5 x 0. Óbvio que o Luxa saiu do jogo irritado assim como muitos cambistas saíram do jogo mal-humorados, pois pude perceber uma boa e significativa recusa de muitos torcedores, que preferiram horas na fila a comprar com os cambistas. Isso é, de certa forma, reconfortante. É preciso de alguma forma combater essa desorganização-organizada. A desorganização existe organizadamente. Ela é pensada, trabalha, ela não é gratuita. A coisa mais fácil que existe no mundo é uma fila séria em um estádio de futebol. Bilheterias funcionando corretamente, filas rápidas, não são difíceis. Atrairiam é verdade muitos mais torcedores ao estádio, o que compensaria o ônus. Nem todos os torcedores são masoquistas e gostam de sofrer pelo time. Muitos gostam de rapidez, conforto, agilidade. Talvez exista uma palavra ainda melhor: respeito. Sim, meus amigos, os torcedores gostam de respeito. Pelo menos, no domingo, o time do Flamengo soube nos respeitar.
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