"Flamengo, Flamengo, tua glória é lutar. Quando o Mengo perde, eu não quero almoçar, eu não quero jantar!" Amigos, o samba de Wilson Baptista se apropria devidamente de um verso do Hino Rubro-Negro (o oficial!) que exprime muito bem aquilo que entendo por Flamengo: a luta. O Flamengo, já se disse, não é técnica, é luta. Não que o Flamengo seja o Grêmio do Rio de Janeiro, longe disso. O Grêmio irrita! Irrita porque é um típico time brasileiro, mas que se acha argentino, alemão, ou qualquer coisa que o valha. O Flamengo é um típico time brasileiro, mas que se acha brasileiro. Mais do que brasileiro (ou talvez, por isso, mais brasileiro): Flamengo é um time negro. Não, amigos, o Flamengo não é o time dos negros. No Flamengo, há espaço para os brancos, por exemplo, o Flamengo nunca me renegou, o Flamengo nunca renegou ao Zico. A questão é mais ampla: o Flamengo é um time negro. Ele simboliza uma parcela marginal da população brasileira, daí é tão amado. No dia 20 de novembro, dia de Zumbi dos Palmares, dia da Consciência Negra, nada melhor do que pensar no Flamengo. O Flamengo deve ser patrimônio imaterial do Brasil, dos negros. Por que o futebol ainda não alcançou tal estatuto? Por que só o Jongo? Por que só o Acarajé? Acho que as elites do Brasil ainda tem a sensação de que o futebol é delas. Que o futebol simboliza a cultura brasileira, aquela que desconhece a luta de classes e a diferença social. Não à toa, em 2014, teremos uma Copa no Brasil e não do Brasil. Balela. Há muito tempo o futebol é do povo, o futebol é dos negros.
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